A valva aórtica é responsável por impedir o refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Suas principais doenças são a Estenose Aórtica (dificuldade de abertura) e a Insuficiência Aórtica (fechamento inadequado).
A ecocardiografia é o método de escolha para avaliação e graduação da severidade destas lesões valvares, utilizando múltiplos parâmetros hemodinâmicos e anatômicos.
| Parâmetro | Leve | Moderada | Grave |
|---|---|---|---|
| Área Valvar (cm²) | > 1.5 | 1.0 - 1.5 | < 1.0 |
| Área Valvar Indexada (cm²/m²) | > 0.85 | 0.60 - 0.85 | < 0.60 |
| Velocidade Máxima (m/s) | < 3.0 | 3.0 - 4.0 | > 4.0 |
| Gradiente Médio (mmHg) | < 25 | 25 - 40 | > 40 |
| Gradiente Máximo (mmHg) | < 40 | 40 - 64 | ≥ 64 |
| Estágio | Dose | Duração |
|---|---|---|
| 1 | 5 µg/kg/min | 3-5 min |
| 2 | 10 µg/kg/min | 3-5 min |
| 3 | 15 µg/kg/min | 3-5 min |
| 4 | 20 µg/kg/min | 3-5 min |
| Parâmetro | Leve | Moderada | Grave |
|---|---|---|---|
| Largura do Jato (% VSVE) | < 25% | 25% - 64% | ≥ 65% |
| Vena Contracta (mm) | < 3 | 3 - 6 | > 6 |
| Pressure Half-Time (ms) | > 500 | 200 - 500 | < 200 |
| Volume Regurgitante (mL) | < 30 | 30 - 59 | ≥ 60 |
| Fração Regurgitante (%) | < 30% | 30% - 49% | ≥ 50% |
| Área do Orifício Regurgitante (cm²) | < 0.10 | 0.10 - 0.29 | ≥ 0.30 |
A Classificação de Carpentier para valva aórtica é baseada no movimento das cúspides e na anatomia da raiz aórtica. É essencial para o planejamento cirúrgico e determinar a viabilidade de plastia aórtica versus troca valvar.
| Tipo | Movimento das Cúspides | Mecanismo | Causas Principais |
|---|---|---|---|
|
Tipo I (Movimento Normal) |
Movimento Normal das Cúspides Insuficiência por: • Dilatação da raiz aórtica • Dilatação do anel aórtico • Perfuração de cúspide |
• Dilatação da raiz (anel > 25-30 mm) • Perfuração (endocardite) • Síndrome aórtica aguda • Dissecção aórtica |
• Ectasia anuloaórtica • Síndrome de Marfan • Aortite (Takayasu, Behçet) • Endocardite (perfuração) • Dissecção aórtica • Válvula aórtica bicúspide com dilatação • Hipertensão arterial (dilatação anel) |
|
Tipo II (Excesso de Movimento) |
Prolapso de Cúspide Cúspide ultrapassa a linha de coaptação em direção ao VE • Excesso de tecido • Alongamento da borda livre • Fenestração |
• Degeneração mixomatosa • Alongamento da cúspide • Ruptura de comissura • Prolapso adquirido • Fenestração congênita |
• Degeneração mixomatosa • Válvula bicúspide com prolapso • Endocardite (destruição/perfuração) • Trauma • Síndrome de Marfan • Iatrogênica (pós-valvuloplastia) |
|
Tipo III (Restrição de Movimento) |
Movimento Restrito Cúspides com mobilidade reduzida, não fecham adequadamente • Retração/fibrose de cúspides • Espessamento • Calcificação • Fusão parcial |
• Fibrose/retração • Calcificação • Encurtamento de cúspides • Fusão comissural • Doença inflamatória |
• Doença reumática • Endocardite cicatrizada • Doença degenerativa calcificada • Radiação • Medicamentos (ergotamina, anorexígenos) • Lúpus eritematoso • Artrite reumatoide |
| Parâmetro | Normal | Possível obstrução | Obstrução significativa |
|---|---|---|---|
| Qualitativa | |||
| Estrutura e movimento de prótese | Normal | Frequentemente anormal* | Anormal* |
| Envelope do fluxo transprotético ao Doppler espectralb | Pico triangular, precoce | Triangular a intermediário | Completo, simétrico |
| Semi-quantitativa | |||
| Tempo de aceleração (ms)b | < 80 | 80 - 100 | > 100 |
| Tempo de aceleração / Tempo de ejeção VE | < 0,32 | 0,32 - 0,37 | > 0,37 |
| Quantitativa | |||
| Fluxo-dependente | |||
| Velocidade de pico (m/s)c,d | < 3 | 3 - 4 | ≥ 4 |
| Gradiente médio (mmHg)c,d | < 20 | 20 - 35 | ≥ 35 |
| Aumento no gradiente médio durante eco de estresse | < 10 | 10 - 20 | > 20 |
| Aumento no gradiente médio durante acompanhamento | < 5 | 5 - 9 | ≥ 10 |
| Fluxo-independente | |||
| Área efetiva de orifício (cm²)c,e | > 1,1 | 0,8 - 1,1 | < 0,8 |
| Medida AEO vs. valor normal de referênciaa | Referência ± 1SD | < Referência - 1SD | < Referência - 2SD |
| Diferença (medida AEO – AEO de referência) (cm²)c | < 0,25 | 0,25 - 0,35 | > 0,35 |
| Índice de velocidade Dopplerc,e | ≥ 0,35 | 0,25 - 0,35 | < 0,25 |
A valva aórtica bicúspide (BAV) é a anomalia cardíaca congênita mais comum, com incidência estimada de 0,9% a 2% na população geral (Ward, 2000; Gray et al., 1995). O termo "BAV" abrange um espectro de malformações valvares com fenótipos morfológicos heterogêneos e diferentes condições hemodinâmicas. A proporção masculino:feminino é de 3,5:1 e há componente hereditário (Cripe et al., 2004).
Valva aórtica com duas cúspides funcionais formando mecanismo valvar com menos de três zonas de aposição paralela. A forma mais frequente consiste em três anlagens de desenvolvimento com uma ou duas comissuras subdesenvolvidas.
A rafe define a área conjunta das duas cúspides subdesenvolvidas, transformada em comissura malformada. Aparência: crista fibrosa com fibras elásticas (Roberts, 1970), estendendo-se da comissura à borda livre das cúspides. Pode ser parcial ou total.
A BAV não é simplesmente a fusão de duas cúspides, mas um processo complexo envolvendo cúspides, seios, comissuras, posição dos óstios coronários e textura da parede aórtica. Vai desde a BAV "pura" (sem rafe) até formas com 1 ou 2 rafes.
BAV com fusão de cúspides (Fused BAV, 90-95%): R-L (70-80%), R-N (20-30%) e L-N (<5%). BAV com 2 seios (~5%) e fusão parcial.
Fonte: Jabagi H, et al. Implications of Bicuspid Aortic Valve Disease and Aortic Stenosis/Insufficiency as Risk Factors for Thoracic Aortic Aneurysm. 2023.
Sistema baseado em três características hierárquicas:
BAV "puramente" bicúspide: duas cúspides, seios e comissuras completamente desenvolvidos.
Implante valvar (Ross) mais desafiador. Orientação vis-à-vis dos óstios coronários requer atenção.
Duas cúspides menores malformadas com a rafe e uma cúspide maior (geralmente a não coronariana).
216 casos (71%)
Rafe entre seios esquerdo e direito
45 casos (15%)
Rafe entre seios direito e não coronariano
8 casos (3%)
Rafe entre seios não coronariano e esquerdo
Valva com duas rafes e anlagens de três cúspides (2 subdesenvolvidas + 1 completa). Três seios identificáveis.
Todos os 14 casos (5%)
Significativamente mais jovens (40 vs 53 anos, P = 0,007)
Proporção significativamente maior de aneurismas da aorta ascendente (P = 0,022)
Visão do cirurgião (seio coronário esquerdo à esquerda). Linhas proeminentes = rafes.
Fonte: Sievers HH, Schmidtke C. J Thorac Cardiovasc Surg. 2007;133:1226-33.
= Bicúspide com uma rafe entre seios esquerdo e direito, com estenose. Achado mais frequente (39%).