Valva Mitral - Graduação
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🩺 O que e o Escore de Wilkins?

O Escore de Wilkins (tambem conhecido como Escore de Block-Wilkins) e uma ferramenta ecocardiografica utilizada para avaliar a anatomia da valva mitral em pacientes com estenose mitral reumatica.

Este escore ajuda a determinar se o paciente e um bom candidato para valvuloplastia mitral percutanea por balao, um procedimento menos invasivo que a cirurgia cardiaca aberta.

📊 Como funciona?
O escore avalia 4 componentes da anatomia da valva mitral, cada um recebendo uma pontuacao de 1 a 4 pontos:

1. Mobilidade valvar
2. Espessamento valvar
3. Calcificacao
4. Aparelho subvalvar

Pontuacao total: 4 a 16 pontos
🧮 Calculadora do Escore de Wilkins
1 Mobilidade Valvar
Avalia o grau de movimentação dos folhetos da valva mitral durante o ciclo cardíaco.
2 Espessamento Valvar
Avalia a espessura dos folhetos da valva mitral ao eco.
3 Calcificação
Avalia a presença e extensão de calcificação nos folhetos mitrais.
4 Aparelho Subvalvar
Avalia o grau de espessamento e encurtamento das cordas tendinosas e músculos papilares.
Escore de Wilkins Total
0
pontos
Interpretação
Aguardando cálculo...
🔄 Mobilidade: -
📏 Espessamento: -
💎 Calcificação: -
🔗 Aparelho Subvalvar: -
📚 Interpretação do Escore de Wilkins

✅ Escore ≤ 8 pontos - FAVORÁVEL

Anatomia favorável para valvuloplastia mitral percutânea por balão.
Sucesso esperado: > 90%
Taxa de reestenose: Baixa (< 10% em 3-5 anos)

⚠️ Escore 9-11 pontos - INTERMEDIÁRIO

Resultado intermediário. Pode-se considerar o procedimento, mas com ressalvas.
Sucesso esperado: 70-85%
Maior risco de: Complicações e reestenose precoce

❌ Escore ≥ 12 pontos - DESFAVORÁVEL

Anatomia desfavorável para valvuloplastia mitral percutânea.
Sucesso esperado: < 60%
Recomendação: Considerar cirurgia de troca valvar mitral
📖 Observações Importantes
• O escore de Wilkins deve ser combinado com outros fatores como idade, regurgitação mitral e presença de trombo atrial
• Pacientes com calcificação importante têm pior prognóstico
• A presença de regurgitação mitral ≥ 2+ pode contraindicar o procedimento
Fibrilação atrial e trombo atrial são contraindicações relativas
⏱️ Area Valvar Mitral por PHT

O metodo do Pressure Half-Time (PHT) e uma tecnica Doppler amplamente utilizada para estimar a area valvar mitral em pacientes com estenose mitral.

Baseia-se no principio de que quanto mais grave a estenose, mais lento e o declinio do gradiente de pressao atraves da valva.

⏱️ Calculadora de Area Valvar por PHT
ms
Tempo para o gradiente de pressao cair a metade do valor inicial
Area Valvar Mitral:
0.00 cm²
Interpretacao:
📐 Formula do PHT
Area Valvar Mitral = 220 / PHT

Classificacao da Estenose Mitral:
• Normal: > 4.0 cm²
• Leve: 1.5 - 2.5 cm²
• Moderada: 1.0 - 1.5 cm²
• Grave: < 1.0 cm²

Limitacoes:
• Impreciso apos valvuloplastia ou troca valvar
• Afetado por complacencia do AE e VE
• Impreciso em insuficiencia aortica significativa
📊 Area Valvar por Equacao de Continuidade

A Equacao de Continuidade e considerada o metodo mais preciso para calcular a area valvar mitral, especialmente apos intervencoes valvares.

Baseia-se no principio da conservacao de massa: o volume de fluxo atraves da VSVE deve ser igual ao volume atraves da valva mitral.

📊 Calculadora por Equacao de Continuidade
cm
VTI do fluxo transmitral (Doppler Continuo)
cm
VTI na via de saida do VE (Doppler Pulsado)
cm
Medido em paraesternal eixo longo
Area Valvar Mitral:
0.00 cm²
Interpretacao:
📐 Formula da Equacao de Continuidade
Area VM = (Area VSVE x VTI VSVE) / VTI Mitral
Area VSVE = π x (D/2)²

Classificacao da Estenose Mitral:
• Normal: > 4.0 cm²
• Leve: 1.5 - 2.5 cm²
• Moderada: 1.0 - 1.5 cm²
• Grave: < 1.0 cm²

Vantagens:
• Metodo mais preciso
• Valido apos valvuloplastia
• Nao afetado por complacencia atrial
📊 Classificação da Severidade da Estenose Mitral
Parâmetro Leve Moderada Grave
Área Valvar (cm²) > 2.5 2.5 - 1.6 ≤ 1.5
Pressure Half-Time (ms) < 100 100 - 149 ≥ 150
Gradiente Médio (mmHg) < 5 5 - 9 ≥ 10
Pressão Sistólica da
Artéria Pulmonar (mmHg)
< 30 30 - 49 ≥ 50
📖 Como Usar Esta Tabela
Área Valvar: É o parâmetro mais importante. Calculada por planimetria ou pelo método do Pressure Half-Time (PHT).

Pressure Half-Time: Tempo (em milissegundos) que o gradiente diastólico leva para cair pela metade. Quanto maior, mais grave a estenose.

Gradiente Médio: Diferença de pressão média entre o átrio e ventrículo esquerdo durante a diástole.

Pressão Pulmonar: Estimada pelo jato de regurgitação tricúspide. Indica repercussão hemodinâmica.

⚠️ Importante: A classificação deve levar em conta TODOS os parâmetros. Em caso de discordância, a área valvar tem maior peso na decisão clínica.
🚨 Estenose Mitral Grave
Indicações de Intervenção:
• Sintomas (dispneia, fadiga, edema)
• Hipertensão pulmonar (PSAP > 50 mmHg)
• Área valvar ≤ 1.5 cm²
• Fibrilação atrial de início recente

Opções terapêuticas: Valvuloplastia percutânea (se anatomia favorável - Wilkins ≤ 8) ou cirurgia (plastia/troca valvar).
📊 Classificação da Severidade da Insuficiência Mitral
Parâmetro Leve Moderada Grave
Largura do Jato
(% do Átrio Esquerdo)
< 20% 20% - 40% > 40%
Vena Contracta (mm) < 3 3 - 6.9 ≥ 7
Volume Regurgitante (mL) < 30 30 - 59 ≥ 60
Fração Regurgitante (%) < 30% 30% - 49% ≥ 50%
Área do Orifício Regurgitante
(EROA) (cm²)
< 0.20 0.20 - 0.39 ≥ 0.40
Fluxo Venoso Pulmonar Sistólico
dominante
Redução do
fluxo sistólico
Reversão
sistólica
📖 Parâmetros Explicados
Largura do Jato: Proporção entre a área do jato regurgitante (mapeamento de fluxo em cores) e a área do átrio esquerdo. Método simples, mas menos preciso.

Vena Contracta: Diâmetro da porção mais estreita do jato regurgitante. É um parâmetro simples, reprodutível e relativamente independente de condições hemodinâmicas.

Volume Regurgitante: Volume de sangue que retorna ao átrio esquerdo a cada batimento. Calculado por métodos quantitativos (PISA ou método volumétrico).

Fração Regurgitante: Percentual do volume ejetado pelo VE que retorna ao átrio esquerdo.

EROA (Effective Regurgitant Orifice Area): Área efetiva do orifício regurgitante. Considerado o "padrão-ouro" para quantificação, calculado pelo método PISA.

Fluxo Venoso Pulmonar: Avaliado por Doppler pulsado nas veias pulmonares. Reversão sistólica é altamente específica de IM grave.
🚨 Insuficiência Mitral Grave
Indicações de Cirurgia:
• Pacientes sintomáticos (dispneia, fadiga, edema pulmonar)
• Assintomáticos com disfunção sistólica do VE (FE ≤ 60%)
• Assintomáticos com dilatação do VE (DSVE ≥ 40 mm)
• Fibrilação atrial de início recente
• Hipertensão pulmonar (PSAP > 50 mmHg)
• Cirurgia cardíaca indicada por outra razão

Opções terapêuticas:
Plastia mitral (preferível, especialmente em IM degenerativa)
Troca valvar (biológica ou mecânica)
MitraClip percutâneo (em casos selecionados, especialmente IM funcional com alto risco cirúrgico)
💡 Classificação por Mecanismo
IM Primária (Orgânica/Degenerativa):
• Prolapso mitral (degeneração mixomatosa)
• Endocardite infecciosa
• Doença reumática
• Ruptura de corda tendínea

IM Secundária (Funcional):
• Dilatação do VE (cardiomiopatia dilatada)
• Isquemia/infarto (disfunção de músculo papilar)
• Remodelamento do VE

⚠️ Importante: A indicação cirúrgica e o prognóstico podem variar conforme o mecanismo. IM secundária tem pior prognóstico e indicação cirúrgica mais controversa.
🆕 IM Secundária: Fenótipos Atrial vs Ventricular (ESC/EACTS 2025)
As diretrizes ESC/EACTS 2025 introduziram pela primeira vez uma distinção clara entre dois fenótipos de IM secundária, com implicações terapêuticas importantes:

🔵 Fenótipo ATRIAL

Características:
• FA crônica ou de longa duração
• Dilatação do AE com dilatação anular
• VE com tamanho e função preservados
• FE ≥ 50%
• Sem disfunção do VE

Mecanismo: Dilatação do anel mitral secundária à dilatação atrial

Tratamento: Cirurgia ou TEER podem ser considerados
🔴 Fenótipo VENTRICULAR

Características:
• Cardiomiopatia dilatada ou isquêmica
• Dilatação e disfunção do VE
• FE reduzida (< 50%)
• Remodelamento ventricular
• Tethering dos folhetos

Mecanismo: Tração dos folhetos pelo deslocamento dos papilares

Tratamento: TEER (Classe I-A) se FE < 50% + sintomático + GDMT otimizada

📋 Critérios para TEER na IM Ventricular (ESC 2025 - Classe I-A):
• IM grave persistente apesar de GDMT (incluindo TRC se indicada)
• Hemodinamicamente estável
• FE < 50% (tipicamente 20-50%)
• DSVE < 70 mm
• Critérios anatômicos favoráveis (EVEREST II / COAPT)
✅ Sinais Adicionais de IM Grave
Sinais Doppler:
• Jato central denso e extenso ao mapeamento
• Fluxo sistólico reverso nas veias pulmonares
• Onda E mitral elevada (> 1.2 m/s)
• Doppler tecidual do anel mitral aumentado

Achados estruturais:
• Dilatação do átrio esquerdo
• Dilatação do ventrículo esquerdo
• Visualização de prolapso ou flail de folheto
• Ruptura de corda tendínea visível

⚠️ Atenção: A presença de múltiplos critérios aumenta a certeza diagnóstica. Use sempre uma abordagem integrada!
🔬 Classificação de Carpentier para Insuficiência Mitral

A Classificação de Carpentier (também conhecida como classificação funcional) é baseada no movimento dos folhetos da valva mitral durante a sístole. É fundamental para o planejamento cirúrgico (plastia vs. troca valvar).

Classificação de Carpentier - Mecanismos de Regurgitação Mitral: Tipo I (Movimento Normal), Tipo II (Movimento Excessivo), Tipo III (Movimento Restrito)

Figure 10 — Depiction of mechanisms of MR as per the Carpentier classification.
Fonte: Zoghbi et al, Journal of the American Society of Echocardiography, April 2017.

Tipo Movimento dos Folhetos Mecanismo Causas Principais
Tipo I
(Movimento Normal)
Movimento Normal
Folhetos fecham no plano do anel, mas há refluxo por:
• Perfuração
• Dilatação do anel
• Fenda (cleft)
• Perfuração de folheto
• Dilatação anular
• Fenda congênita
Endocardite (perfuração)
Dilatação VE (IM funcional)
Fenda mitral (defeito septo AV)
Doença reumática (dilatação anel)
Tipo II
(Excesso de Movimento)
Prolapso ou Flail
Folhetos ultrapassam o plano do anel em direção ao átrio

Prolapso: Bordas livres acima do anel
Flail: Perda total de coaptação
• Alongamento de cordas
Ruptura de cordas
• Ruptura músculo papilar
• Degeneração mixomatosa
Degeneração mixomatosa (Barlow)
Doença fibroelástica
Ruptura traumática
Endocardite
IAM (ruptura músculo papilar)
Síndrome de Marfan
Tipo III
(Restrição de Movimento)
Movimento Restrito
Folhetos não fecham adequadamente por limitação do movimento

IIIa: Restrição em sístole e diástole
IIIb: Restrição apenas em sístole
Tipo IIIa:
• Fusão comissural
• Espessamento de folhetos
• Fibrose/calcificação

Tipo IIIb:
• Tethering (tração)
• Deslocamento músculos papilares
• Dilatação VE
Tipo IIIa:
Doença reumática
Radiação
Calcificação mitral
Lúpus eritematoso

Tipo IIIb:
Cardiomiopatia dilatada
IAM com remodelamento
IM funcional/isquêmica
I Movimento Normal
Lembre-se: Folhetos se movem normalmente, mas há refluxo!

Achado chave no eco:
• Folhetos coaptam no plano do anel
• Buscar perfuração ou fenda
• Medir diâmetro do anel mitral
II Excesso de Movimento
MAIS COMUM em IM primária degenerativa!

Achado chave no eco:
• Prolapso > 2mm acima do anel
• Flail: folheto "dançando"
• Ruptura de corda visível

✅ Melhor prognóstico cirúrgico (plastia)
III Restrição de Movimento
Dividido em IIIa e IIIb:

IIIa (reumática):
• Fusão comissural
• Calcificação

IIIb (funcional):
• Tethering de folhetos
• DSVE aumentado
• Músculos papilares deslocados

⚠️ IIIb: pior prognóstico cirúrgico
💡 Importância Clínica da Classificação de Carpentier
1. Planejamento Cirúrgico:
Tipo II: Melhor candidato para plastia mitral (taxa de sucesso > 95%)
Tipo I e IIIa: Plastia possível dependendo da anatomia
Tipo IIIb: Plastia desafiadora, alto risco de falha (considerar troca valvar)

2. Prognóstico:
Tipo II (degenerativo): Excelente prognóstico pós-cirúrgico
Tipo IIIb (funcional): Prognóstico depende da função do VE

3. Avaliação Ecocardiográfica:
• Identificar o tipo de Carpentier é essencial no laudo
• Orienta o cirurgião sobre a viabilidade de plastia
• Ajuda na estratificação de risco perioperatório

4. Nomenclatura Moderna:
IM Primária = Tipos I, II e IIIa (doença da valva propriamente dita)
IM Secundária = Tipo IIIb (consequência de doença do VE)
🎯 Dica Prática para o Laudo
Exemplo de descrição no laudo:

"Insuficiência mitral importante (EROA 0,45 cm²) secundária a prolapso do folheto posterior (P2) com ruptura de corda tendínea (Carpentier Tipo II). Segmento flail visível com movimento paradoxal em direção ao átrio esquerdo. Anatomia favorável para plastia mitral."

Sempre mencione:
• O tipo de Carpentier
• Qual folheto/segmento está acometido
• Se anatomia é favorável para plastia

🫀 Calculadora de Regurgitação Mitral Crônica

Classificação integrada por ecocardiografia Doppler baseada em parâmetros quantitativos (EROA, Volume Regurgitante, Fração Regurgitante) e critérios qualitativos específicos conforme diretrizes ASE/EACVI.

📊 Parâmetros Quantitativos

Selecione a faixa correspondente ao exame:

Parâmetro Grau I Grau II Grau III Grau IV
EROA (cm²) < 0,20 0,20-0,29 0,30-0,39 ≥ 0,40
RVol (ml) < 30 30-44 45-59 ≥ 60
FR (%) < 30 30-39 40-49 ≥ 50

Critérios Específicos para RM Discreta

0/6
Jato central pequeno e estreito
VCW ≤ 0,3 cm
Raio PISA ausente ou ≤ 0,3 cm (Nyquist 30-40 cm/s)
Onda A mitral dominante no influxo
Jato incompleto ou fraco ao CW Doppler
VE e AE de tamanho normal

⚠️ Critérios Específicos para RM Importante

0/6
Folheto flácido (flail leaflet)
VCW ≥ 0,7 cm ou VCA ≥ 0,5 cm²
Raio PISA ≥ 1,0 cm (Nyquist 30-40 cm/s)
Jato central grande > 50% da área do AE
Reversão do fluxo sistólico em veia pulmonar
VE dilatado com função sistólica normal
⚠️

Atenção: Jatos excêntricos (wall-impinging) podem subestimar a gravidade da regurgitação.

📋 Qualidade e Limitações do Exame

Qualidade do ETT inadequada
Baixa confiança nos parâmetros Doppler
Discordância de parâmetros
Quantitativo vs. qualitativo e/ou clínica
📚 Fonte
ASE/EACVI Guidelines for the Evaluation of Valvular Regurgitation
Zoghbi WA, et al. J Am Soc Echocardiogr. 2017;30(4):303-371.
💜 Prolapso da Valva Mitral (PVM)
📖 Definição (ASE 2022)
O Prolapso da Valva Mitral (PVM) é definido como o deslocamento sistólico de um ou ambos os folhetos mitrais ≥ 2 mm acima do plano do anel mitral, medido no corte paraesternal eixo longo ou apical 3 câmaras.

Prevalência: 2-3% da população geral. É a causa mais comum de IM primária que requer cirurgia nos países desenvolvidos.
Classificação Critérios Características
Clássico (Barlow) Espessura folheto ≥ 5 mm Redundância mixomatosa difusa, cordas alongadas, anel dilatado
Não-Clássico (FED) Espessura folheto < 5 mm Deficiência fibroelástica, prolapso localizado (geralmente P2)
🔍 Achados Ecocardiográficos
  • Deslocamento ≥ 2 mm acima do anel
  • Espessamento dos folhetos (> 5 mm = clássico)
  • Redundância e alongamento de cordas
  • Dilatação do anel mitral (> 35 mm)
  • IM de grau variável (jato excêntrico)
⚠️ Fatores de Risco para IM Grave
  • Folheto posterior prolapsando (P2)
  • Prolapso bivalvar
  • Espessamento mixomatoso difuso
  • Disjunção do anel mitral (MAD)
  • Flail leaflet associado
🚨 PVM Arritmogênico (PMVA)
Fenótipo associado a maior risco de arritmias ventriculares e morte súbita:
Prolapso bivalvar com redundância
Disjunção do anel mitral (MAD) ≥ 5 mm
Ondas T negativas em derivações inferiores
Extrassístoles ventriculares frequentes (origem fascicular ou papilar)
Fibrose miocárdica em RMC (realce tardio no músculo papilar/parede inferolateral)

Conduta: Considerar Holter, RMC com gadolínio, e avaliação eletrofisiológica em casos selecionados.
📚 Referências
Freed LA, et al. Mitral valve prolapse in the general population. J Am Coll Cardiol. 2002.
Delling FN, et al. Evolution of Mitral Valve Prolapse. Circulation. 2022.
Basso C, et al. Arrhythmic Mitral Valve Prolapse and Sudden Cardiac Death. Circulation. 2015.
🔴 Flail Mitral (Ruptura de Corda Tendínea)
📖 Definição
O Flail Mitral ocorre quando há ruptura de uma ou mais cordas tendíneas, resultando em movimento descontrolado do folheto com sua extremidade invertendo-se para dentro do átrio esquerdo durante a sístole.

Diferença do Prolapso: No prolapso, o corpo do folheto se desloca acima do anel, mas as cordas estão íntegras. No flail, há perda do suporte cordal com inversão da ponta do folheto.
Etiologia Frequência Características
Degeneração Mixomatosa 60-70% Cordas alongadas, redundantes; evolução do prolapso
Deficiência Fibroelástica 15-20% Ruptura espontânea em folheto fino; geralmente P2
Endocardite Infecciosa 5-10% Destruição por vegetações; pode haver perfuração
Trauma / Iatrogênica < 5% Trauma torácico, procedimentos cardíacos
🔍 Critérios Ecocardiográficos
  • Ponta do folheto invertida para o AE
  • Corda(s) rotas visíveis flutuando
  • Movimento caótico/errático do folheto
  • IM grave com jato excêntrico
  • Reversão sistólica em veias pulmonares
🏥 Implicações Clínicas
  • IM aguda grave é comum
  • Alta taxa de sucesso na plastia mitral
  • Prognóstico excelente após reparo
  • P2 flail: melhor candidato para reparo
  • Cirurgia indicada mesmo se assintomático
💡 Flail vs Prolapso - Distinção Importante
Prolapso: Corpo do folheto > 2 mm acima do anel, ponta direcionada para o VE, cordas íntegras
Flail: Ponta do folheto invertida para o AE, cordas rotas visíveis, movimento descontrolado

⚠️ O flail sempre causa IM significativa e tem indicação cirúrgica mais urgente.
🦴 Calcificação do Anel Mitral (MAC)
📖 Definição
A Calcificação do Anel Mitral (MAC) é um processo degenerativo crônico caracterizado por depósitos de cálcio no anel fibroso mitral, predominantemente na porção posterior.

Prevalência: 8-15% em adultos > 50 anos, aumentando com a idade. Mais comum em mulheres, doença renal crônica, hipertensão e diabetes.
Grau Espessura (mm) Extensão Implicações
Leve < 4 mm < 1/3 do anel Geralmente assintomático
Moderada 4-8 mm 1/3 - 2/3 do anel Pode causar IM ou EM leve
Grave > 8 mm > 2/3 do anel IM/EM significativa, alto risco cirúrgico
Caseosa Variável Massa arredondada Centro liquefato, pode mimetizar tumor
🔍 Achados Ecocardiográficos
  • Massa ecogênica densa no anel posterior
  • Sombra acústica posterior
  • Pode estender para folhetos/cordas
  • Restrição da mobilidade do folheto posterior
  • Calcificação caseosa: centro hipoecogênico
⚠️ Associações Clínicas
  • Fibrilação atrial (risco 2x maior)
  • AVC/embolia (fonte emboligênica)
  • Distúrbios de condução (BAV, BRE)
  • Calcificação aórtica concomitante
  • Marcador de doença aterosclerótica
🏥 Implicações para Cirurgia/Intervenção
Desafio técnico: Calcificação extensa dificulta anuloplastia e implante de prótese
Risco de ruptura do anel durante descalcificação
TMVR (Transcatheter Mitral Valve Replacement): Opção emergente para MAC grave com alto risco cirúrgico
Valve-in-MAC: Implante transcateter em MAC grave, com risco de obstrução da VSVE
💗 Disjunção do Anel Mitral (MAD)
📖 Definição (Perazzolo Marra 2021)
A Disjunção do Anel Mitral (MAD - Mitral Annular Disjunction) é uma anomalia estrutural caracterizada pela separação entre a junção átrio-ventricular e a inserção do folheto mitral posterior, criando um "degrau" entre o átrio esquerdo e a parede posterior do VE.

Prevalência: Encontrada em 20-40% dos pacientes com PVM, mas pode ocorrer isoladamente.
Medida Normal MAD Presente MAD Significativa
Distância de disjunção 0 mm 1-4 mm ≥ 5 mm
Movimento do anel Mínimo Hipermóvel Curling sistólico
Risco arrítmico Baixo Intermediário Elevado
🔍 Como Medir (ETT/RMC)
  • Corte: Paraesternal eixo longo ou 3 câmaras
  • Momento: Final da sístole (máxima disjunção)
  • Medir distância entre junção AE-VE e inserção do folheto
  • RMC: Gold-standard (melhor visualização)
  • Avaliar presença de "curling" sistólico
🚨 Fenótipo Arritmogênico
  • MAD ≥ 5 mm + PVM = alto risco
  • Fibrose papilar/inferolateral na RMC
  • ESV frequentes (> 500/24h)
  • TVNS ou TV sustentada
  • Ondas T invertidas em II, III, aVF
💡 Mecanismo Arritmogênico
A disjunção causa estresse mecânico repetitivo na parede inferolateral do VE e músculos papilares, levando a fibrose miocárdica que serve como substrato para reentrada e arritmias ventriculares.

O "curling sistólico" excessivo do anel posterior exacerba esse processo, especialmente quando associado ao prolapso bivalvar.
📚 Referências
Perazzolo Marra M, et al. Morphofunctional Abnormalities of MVP and Arrhythmias. JACC Cardiovasc Imaging. 2021.
Dejgaard LA, et al. MAD in MVP and Risk of Ventricular Arrhythmias. JACC. 2018.
Carmo P, et al. Mitral Annular Disjunction: A Review. Heart. 2022.
Estágio 1
Deterioração morfológica valvar:
Evidência de deterioração valvar estrutural, disfunção valvar/não estrutural (exceto leak paraprotético ou mismatch), trombose ou endocardite sem mudanças hemodinâmicas significativas
Estágio 2
Moderada deterioração hemodinâmica valvar:
↑Δ grad. médio ≥ 3 mmHg com grad. médio ≥ 5 mmHg + ↓Δ OEA ≥ 0,5 cm²
ou
Nova ocorrência ou ↑Δ 1 grau de IM protética, resultando em IM de grau ≥ moderado
Estágio 3
Importante deterioração hemodinâmica valvar:
↑Δ grad. médio ≥ 5 mmHg com grad. médio ≥ 10 mmHg + ↓Δ OEA ≥ 1,0 cm²
Nova ocorrência ou ↑Δ 2 grau de IM protética, resultando em IM de grau importante
📌 Legenda
↑Δ = Aumento do parâmetro
↓Δ = Diminuição do parâmetro
OEA = Área do Orifício Efetivo
IM = Insuficiência Mitral
grad. = Gradiente
PHT = Pressure Half-Time (Tempo de Meia Pressão)
📋 Avaliação Detalhada - Deterioração de Prótese Valvar Mitral
Parâmetro Normal Possível obstrução Obstrução significativa
Qualitativa
Estrutura e movimento valvar Normal Frequentemente anormal* Anormal*
Envelope do fluxo transprotético ao Doppler espectralb Pico triangular, precoce Triangular a intermediário Completo, simétrico
Semi-quantitativa
Tempo de meia pressão (ms)b < 130 130-200 > 200
Quantitativa
Dependente do fluxo
Velocidade de pico (m/s)c,d,f < 1,9 1,9-2,5 ≥ 2,5
Gradiente médio (mmHg)c,d,f < 5 6-10 ≥ 10
Aumento do gradiente médio durante eco de estresse < 5 5-12 > 12
Aumento do gradiente médio no seguimento < 3 3-5 > 5
Independente do fluxo
Área do orifício efetivo (cm²)c,e ≥ 2 1-2 < 1
Área do orifício efetivo vs. valor de referência normala Referência ± 1DP < Referência - 1DP < Referência - 2DP
Diferença (medida AEO – AEO de referência) (cm²)c < 0,25 0,25-0,35 > 0,35
Índice de velocidade Dopplerc,d,e,g ≥ 2,2 2,2-2,5 > 2,5
📝 Notas Importantes
Notas:
a Consultar Tabela 7 para valores normais de referência para a área efetiva do orifício
b Melhor avaliado por Doppler contínuo da posição apical
c Valores dependentes do tamanho da prótese valvar
d Valores derivados de múltiplos tipos de próteses
e Esses parâmetros podem ser difíceis de calcular por causa de angulação e/ou outros fatores e podem não ser reproduzíveis
f Para próteses mitrais, valores de referência podem variar significativamente com o tipo e tamanho da prótese
g Para válvula mitral: DVI = VTICSVE / VTI transmitral
* Frequentemente anormal = espessamento, calcificação, restrição de movimento; Anormal = espessamento grave, calcificação extensa, restrição grave de movimento
🔍 Parâmetros Específicos para Estenose Mitral Protética
Parâmetro Normal/Leve Moderada Importante
Gradiente médio (mmHg) < 5 5-10 > 10
Área valvar efetiva (cm²) > 2,0 1,0-2,0 < 1,0
PHT (ms) < 130 130-200 > 200
Velocidade de pico (m/s) < 1,9 1,9-2,5 > 2,5
Índice de Desempenho ≥ 0,8 cm²/m² 0,6-0,8 cm²/m² < 0,6 cm²/m²
⚠️ Importante
Os valores podem variar conforme o tipo de prótese (mecânica vs. biológica) e o tamanho implantado. Sempre comparar com valores basais do paciente quando disponíveis.
💡 Importantes Considerações Clínicas
1. Avaliação Multiparamétrica: A classificação da deterioração deve considerar múltiplos parâmetros, não apenas um isolado.

2. Comparação com Exames Prévios: A detecção de mudanças ao longo do tempo é essencial para o diagnóstico de deterioração.

3. Contexto Clínico: Os achados devem ser sempre interpretados considerando a condição clínica do paciente, incluindo sintomas e capacidade funcional.

4. Valores Basais: Idealmente, deve-se ter um ecocardiograma basal pós-implante (6-12 semanas) para comparação futura.

5. Tipo de Prótese: Próteses biológicas e mecânicas têm padrões hemodinâmicos diferentes. Sempre considere o tipo específico da prótese implantada.

6. Mismatch Prótese-Paciente: Diferencie deterioração estrutural de mismatch prótese-paciente, que pode estar presente desde o implante.
⚠️ Atenção Especial
Próteses Mitrais: A avaliação hemodinâmica pode ser mais desafiadora que nas próteses aórticas devido a:
• Variabilidade maior com frequência cardíaca
• Influência de arritmias (especialmente fibrilação atrial)
• Maior dependência do débito cardíaco
• Dificuldade técnica em obter janelas acústicas adequadas

Sempre correlacione achados ecocardiográficos com quadro clínico!