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Parâmetro
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Leve
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Moderada
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Grave
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Largura do Jato (% do Átrio Esquerdo)
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< 20%
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20% - 40%
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> 40%
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Vena Contracta (mm)
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< 3
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3 - 6.9
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≥ 7
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Volume Regurgitante (mL)
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< 30
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30 - 59
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≥ 60
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Fração Regurgitante (%)
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< 30%
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30% - 49%
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≥ 50%
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Área do Orifício Regurgitante (EROA) (cm²)
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< 0.20
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0.20 - 0.39
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≥ 0.40
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Fluxo Venoso Pulmonar
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Sistólico dominante
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Redução do fluxo sistólico
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Reversão sistólica
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📖 Parâmetros Explicados
Largura do Jato: Proporção entre a área do jato regurgitante (mapeamento de fluxo em cores) e a área do átrio esquerdo. Método simples, mas menos preciso.
Vena Contracta: Diâmetro da porção mais estreita do jato regurgitante. É um parâmetro simples, reprodutível e relativamente independente de condições hemodinâmicas.
Volume Regurgitante: Volume de sangue que retorna ao átrio esquerdo a cada batimento. Calculado por métodos quantitativos (PISA ou método volumétrico).
Fração Regurgitante: Percentual do volume ejetado pelo VE que retorna ao átrio esquerdo.
EROA (Effective Regurgitant Orifice Area): Área efetiva do orifício regurgitante. Considerado o "padrão-ouro" para quantificação, calculado pelo método PISA.
Fluxo Venoso Pulmonar: Avaliado por Doppler pulsado nas veias pulmonares. Reversão sistólica é altamente específica de IM grave.
🚨 Insuficiência Mitral Grave
Indicações de Cirurgia:
• Pacientes sintomáticos (dispneia, fadiga, edema pulmonar)
• Assintomáticos com disfunção sistólica do VE (FE ≤ 60%)
• Assintomáticos com dilatação do VE (DSVE ≥ 40 mm)
• Fibrilação atrial de início recente
• Hipertensão pulmonar (PSAP > 50 mmHg)
• Cirurgia cardíaca indicada por outra razão
Opções terapêuticas:
• Plastia mitral (preferível, especialmente em IM degenerativa)
• Troca valvar (biológica ou mecânica)
• MitraClip percutâneo (em casos selecionados, especialmente IM funcional com alto risco cirúrgico)
💡 Classificação por Mecanismo
IM Primária (Orgânica/Degenerativa):
• Prolapso mitral (degeneração mixomatosa)
• Endocardite infecciosa
• Doença reumática
• Ruptura de corda tendínea
IM Secundária (Funcional):
• Dilatação do VE (cardiomiopatia dilatada)
• Isquemia/infarto (disfunção de músculo papilar)
• Remodelamento do VE
⚠️ Importante: A indicação cirúrgica e o prognóstico podem variar conforme o mecanismo.
IM secundária tem pior prognóstico e indicação cirúrgica mais controversa.
🆕 IM Secundária: Fenótipos Atrial vs Ventricular (ESC/EACTS 2025)
As diretrizes ESC/EACTS 2025 introduziram pela primeira vez uma
distinção clara entre dois fenótipos de IM secundária, com implicações terapêuticas importantes:
🔵 Fenótipo ATRIAL
Características:
• FA crônica ou de longa duração
• Dilatação do AE com dilatação anular
• VE com tamanho e função preservados
• FE ≥ 50%
• Sem disfunção do VE
Mecanismo: Dilatação do anel mitral secundária à dilatação atrial
Tratamento: Cirurgia ou TEER podem ser considerados
🔴 Fenótipo VENTRICULAR
Características:
• Cardiomiopatia dilatada ou isquêmica
• Dilatação e disfunção do VE
• FE reduzida (< 50%)
• Remodelamento ventricular
• Tethering dos folhetos
Mecanismo: Tração dos folhetos pelo deslocamento dos papilares
Tratamento: TEER (Classe I-A) se FE < 50% + sintomático + GDMT otimizada
📋 Critérios para TEER na IM Ventricular (ESC 2025 - Classe I-A):
• IM grave persistente apesar de GDMT (incluindo TRC se indicada)
• Hemodinamicamente estável
• FE < 50% (tipicamente 20-50%)
• DSVE < 70 mm
• Critérios anatômicos favoráveis (EVEREST II / COAPT)
✅ Sinais Adicionais de IM Grave
Sinais Doppler:
• Jato central denso e extenso ao mapeamento
• Fluxo sistólico reverso nas veias pulmonares
• Onda E mitral elevada (> 1.2 m/s)
• Doppler tecidual do anel mitral aumentado
Achados estruturais:
• Dilatação do átrio esquerdo
• Dilatação do ventrículo esquerdo
• Visualização de prolapso ou flail de folheto
• Ruptura de corda tendínea visível
⚠️ Atenção: A presença de múltiplos critérios aumenta a certeza diagnóstica.
Use sempre uma abordagem integrada!